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sexta-feira, 10 de julho de 2015

A solidão dos surdos


As últimas palavras ditas por ele entraram em meu ouvido feitas tsunami. Cada sílaba pronunciada pelas suas cordas vocais, me deixaram fora de si.
“Do que estou reclamando?” pensava.  Eu que havia o procurado, corrido atrás e implorado por mais uma chance. A última dessa vez. Porque, se todo aquele amor dito fosse verdade, eu precisava insistir de novo e, de novo.  Acender a nossa vela.
Agente sempre acha que sabe de tudo, que é a dona da verdade. E por acreditar nessa mentira, acabamos iludindo nós mesmos. De graça.
O que havia acontecido exatamente, não sei dizer. Apenas senti um turbilhão de sentimentos que estava me levando a óbito.
Todos os dias, antes de dormir, agradeço a Deus, por ter sido tão forte, ultimamente. Há pessoas que em situações parecidas sofrem um bocado. Eu imagino como horrível deve ser.
Felizmente as minhas características passam longe disso. No comecinho, as palavras somem, e não há maneiras para explicar como meu corpo reage. Mas isso ocorre apenas no início, entende?
Depois, quando as coisas voltam à sua normalidade de sempre, eu me levanto como se nada houvesse acontecido.
Igual ontem.  Joguei meu celular dentro da privada, apertei a descarga e, pressionei o botão do rádio. Aumentei o volume, deixando que os versos de Armandinho invadissem aquele apartamento. Liguei o chuveiro e deixei que a pressão da água, acalmasse meu subconsciente.  E com a maior leveza do mundo, massageei meu cabelos, em sinônimo de consolo. Humpt!
Me enxuguei e comecei a seca-los fio a fio. Aquele ventinho quente do secador me deixava em êxtase. Ah, delícia!
Escolhi um vestido tubinho, bem justo.  Daqueles que aumenta o peito e achata a bunda. Coloquei uma sandália de salto alto, que não usava há séculos. Delineador mais rímel. Batom vermelho, é claro. Olhei-me no espelho e senti a necessidade dos meus brincos de argola. Escovei meus cabelos para trás e lembrei que tinha esquecido da fita crepe, na ponto interna do vestido. Truque antigo, para ele não subir e deixar a minha calcinha a mostra.
Mas uma vez, encarei aquela mulher de frente ao espelho. Gata. Ela estava realmente gata, por sinal. Sexy. Qualquer homem que a visse, ficaria doido.
Tac tac tac. Era o barulho que meus saltos faziam, na pequena viela em que atravessava.
Os marmanjos soltavam piadinhas bestas e cantadas ridículas, daquelas que encontramos em sites de relacionamento. Apesar de tudo, estava gostando. Ter o desejo dos homens seria o meu troco.
A comunidade estava cheia e todos desciam os morros da favela, para comemorar a chegada de um novo ano.
Só fui perceber que havia quebrado a promessa de não enjerir álcool, quando me encontrei no meio de uma rodinha, descendo até o chão.
Em outras situações, aquilo seria a gota da água, para que minha vó se convencesse a me levar de vez a um psicólogo. Bem, ela não estava ali e não precisaria me preocupar. Eu estava me permitindo. Não de uma maneira extremamente correta, mas à minha maneira. E era que isso que importava.
Descalça e com dores no calcanhar, resolvi que era melhor eu sentar e acalmar os ânimos, antes que o inesperado viesse a acontecer.
Puxei uma cadeira para apoiar a minha perna e, sorri involuntariamente ao escutar algumas crianças comentando baixinho, o quanto estava bonita. Pois é, apesar de estar toda suada e desajeitada, eu ainda estava bonita.
Agradeci surpresa ao elogio e sentei  no chão, para brincar com elas. Telefone-sem-fio.
Antes de ir embora, deixei no ouvido de um garotinho a palavra “esperança”.
Juntei as minhas sandálias, tomei o último gole do copo e fui embora.
Cheguei em casa e acariciei minha lebre, de estimação.
Dei-a um beijinho de boa noite e caí na cama, para aguardar a chegada de um novo ciclo.
É, feliz ano novo!

domingo, 24 de maio de 2015

Minha doce ilação



O sol com a chuva, serão os principais cenários da trama. Dias em que você passará a escutar estilos musicais jamais explorados, a trilha sonora. Um pouco de drama e melancolia, o enredo.

Conversas jogadas fora, indiretas comprometedoras, elogios fofos, algo estranho. Tudo novo de novo. Bum!
No começo será assim. Só love, só love. Tempo em que o clímax se instalará. Quando isso passar a acontecer, lembre-se de como uma mulher deve agir perante as surpresas do caminho. Olha, ele te elogiará, irá dizer o quanto é linda. Que a sua boca, é a única o qual beijará. Irá querer que a sua escova de dente, dê um oizinho para a dele. Romantismo. Por isso, não vacila, ta? Diga o tamanho do sorriso que se forma em sua face, ao imagina-lo aí contigo. Admita que riu do nada, apenas  por escutar a sua voz. Ele tem o direito de saber o quanto te faz bem.  Vai que o cupido acertou em cheio.
Após o primeiro “eu te amo”, você sofrerá um leve distúrbio em seu estômago. Que com certeza, nada comparado ao que virá pela frente.
Palavras de afeto e carinho lhe prestarão aconchego antes de dormir. Promessas também. Planos para o futuro. Cinco cachorros, quatro filhos, algumas histórias e noites inesquecíveis, serão algumas das coisas que lhe surpreenderá. Levaras-te à galáxias desconhecidas, até então. E naquele momento, apenas naquele, te fará acreditar que o amor é coisa de outro mundo.
Ambos os principais entendem que, precisam de uma nova adaptação. Entender para que lado a terra vem girando, ultimamente. E nesse período, as calotas polares iniciaram seu estágio de fusão. Não, ainda é cedo. Ele não vai embora. De um jeito único, demonstrará que precisa pensar. Sabe, sobre vocês. Ter certeza se ama-te verdadeiramente. Caso perceba a necessidade, deixe-o ir. É só por um tempo, até perceber que você está fazendo dele, o homem mais feliz do universo.
Sei que as vezes o vento vem, derrubando tudo a sua volta. Porém, não é a hora de discutir com a mãe natureza. É duro, eu entendo. Sei como é. Só que mesmo com inúmeros feitos, permaneça no céu. Tente pelo menos. Não xingue, brigue ou menospreze. Deixe a grosseria lá fora. Caso contrário, poderá magoa-lo tanto, que é provável que você nem perceba. Quer saber de uma coisa? Quem irá notar sua mudança de humor, será ele. Também não vale espera-lo, que venha falar cara a cara. Isso nunca foi o forte dos homens. Ainda mais o dele.

Por fim, um ar gélido te guiará daqui em diante. A primeira coisa que irá sentir falta, é as sentenças promissoras, que tempos atrás lhe deixava inconsciente. Monotonias deixarão de lado as velhas lembranças. Um “boa noite”, provavelmente, virá a partir de um impulso para evitar possíveis remorsos. Recadinhos delicados, que costumavam colorir o relacionamento de vocês, se tornará algo como ”sei lá, tanto faz”.  

Passará a ser mais uma frase clichê, dessas que encontramos por aí. Junto com um desculpa boba, esperanças esquecidas e rotinas enjoativas.

O sol já vai de despedindo e você tentando encontrar uma resposta, para a incoerência. Talvez nem haja uma, que faça sentido. Talvez o que passou, foi apenas uma amostra do que virá por aí. Do que o tempo tem pra te mostrar. Sim, ele mesmo. Lembra? ”É só questão de tempo”.

Em relação ao amor? Ah, conforme-se. Ele não tem início, meio ou fim. Simplesmente é assim.

sexta-feira, 22 de maio de 2015

Quando "a real" se torna presente



Ando meio cansada de uns dias para cá. Está tudo tão diferente, esquisito, que as vezes me pergunto o que ando fazendo da minha vida. Aquela garota bobinha e ingênua nunca mais deu as caras.

Sempre fui um pouco fechada, em relação a sentimentos. Não sei se é por eu me sentir deslocada, mas lembro que foram poucas as vezes em que olhei nos olhos da minha melhor amiga e, lhe contei o que realmente estava acontecendo. Hoje, vejo que sinceramente não foi uma das minhas melhores experiências.

De vez em quando, levamos um soco na cara. Aguentamos dores que nunca fomos capazes de sentir. Aquelas, que são as piores. Ferindo algo, que um dia, significou tudo.

Enjoei de tudo e de todos. Tenho pesadelos todas as noites. Vivo em uma bolha, aonde faço o que é melhor para mim.

Falo sozinha, faço sozinha. Até acho que gosto da minha solidão. Não é uma decisão muito sábia, porém no momento, não vejo escolhas. Há muita coisa sóbria em minha mente.

Não gosto de pessoas. Elas nos decepcionam, sempre. Não importa o quão especial você seja. Não importa se é uma colecionadora de sentimentos ou possui um coração de pedra. A decepção virá de quem você menos espera. E é por isso também que ela será mais árdua.

Quem vive de tristeza, infarta em meio as suas próprias cicatrizes.